FPF lança campanha de alerta sobre comportamento de pais de atletas mirins
Brigas nas arquibancadas, arremesso de objetos, ofensas discriminatórias e até o porte de armas de fogo viraram problema recorrente nas competições de base em São Paulo. Cresce o número de ocorrências em 2025, e o mau comportamento dos pais, que são maioria em jogos da base, fez a Federação Paulista determinar uma nova medida: portões fechados nos Estaduais sub-11 e sub-12.
Trata-se de uma medida educativa temporária, em decisão da FPF respaldada pelo Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo, com as rodadas 16 e 17 do Paulistão acontecendo dessa forma em ambas as categorias.
Ela se baseia no aumento de casos nos últimos anos. Foram 34 ocorrências de torcedores no ano passado, enquanto em 2025, somente até este mês de agosto, os números ultrapassam a marca, chegando a 46 casos no sub-11 e sub-12.
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Medalhas do Paulista Sub-11 em 2024 — Foto: Fernanda Luz/Ag. Paulistão
Os relatos são de arremesso de objetos no campo, confusão entre torcedores, itens proibidos, além de ofensas à arbitragem, à comissão técnica e até aos atletas, que são crianças entre 11 e 12 anos neste cenário. As agressões verbais vão desde xingamentos a insultos racistas e homofóbicos.
Uma criança, por exemplo, saiu de campo chorando após ouvir gritos de gordo, x-tudo e x-bacon vindos de um adulto na torcida adversária. As imagens auxiliaram na identificação do responsável e com isso foi lavrado um boletim de ocorrência, mas as agressões estão longe de ser exceção.
– Após meses de conscientização, ainda registramos episódios inaceitáveis de condutas de adultos nas partidas de base. Essas duas categorias reúnem as atletas e os atletas mais jovens das nossas competições. Queremos arquibancadas de respeito e alegria, e o exemplo começa conosco – diz o vice-presidente da Federação, Mauro Silva.
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Público na final do Paulista Sub-11 em 2024 — Foto: Fernanda Luz/Ag. Paulistão
Em junho, há um relato de torcedores que proferiram ameaças à comissão técnica do time rival, gritando frases como "Quem é o pai desse gordo que eu quero agredir lá fora? Ele agrediu meu filho", em referência a um atleta, cujo nome foi preservado pela reportagem. Não foi possível identificar individualmente os autores dos insultos nesse caso.
No fim do mesmo mês, outro torcedor entrou no setor visitante de uma partida portando uma arma de fogo. Apresentou Carteira Funcional e Certificado de Registro de Arma de Fogo, mas argumentou-se, naturalmente, que por se tratar de um campeonato de crianças não era adequado o porte de arma. O torcedor alegou que não poderia ficar sem ela.
No fim de julho, por sua vez, torcedores de um time visitante gritaram "LGBT não pode bater pênalti" para um dos atletas da equipe adversária. O relato ainda é de que o supervisor do clube desceu do camarote para pedir aos torcedores que parassem com os gritos e chegou a discutir com alguns pais porque discordaram da atitude do dirigente.
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Arbitragem na final do Paulista Sub-12 de 2024 — Foto: Rodrigo Corsi/Ag.Paulistão
Em outras ocasiões, houve ainda arremesso de líquidos contra gandulas, partida paralisada por arremesso de tênis no campo, briga entre torcedores que acabou com uma mulher alcoolizada caindo na arquibancada e até a explosão de uma bomba na arquibancada onde estavam alguns pais e atletas de um time mandante. Todos em 2025.
A medida dos portões fechados, portanto, é colocada como uma nova tentativa de conscientização.
Ainda no fim do ano passado, a Federação chegou a lançar uma campanha de alerta sobre comportamento de pais de atletas mirins. Era um vídeo com simulação de comportamento agressivo de familiares em jogos infantis do Paulistão, como parte da campanha "Menos Ódio, Mais Futebol", que existe para combater a intolerância e a violência.